O Instituto de Pesquisa, Direitos e Movimentos Sociais (IPDMS) manifesta seu repúdio às ações de agressão e ingerência promovidas pelos Estados Unidos da América contra a República Bolivariana da Venezuela, que configuram violação direta da soberania nacional e representam grave ameaça à estabilidade política da América Latina.
É falsa a justificativa estadunidense de que esteja em jogo a defesa da democracia ou o combate a crimes transnacionais. O que se observa é uma ofensiva orientada por interesses econômicos e geopolíticos, especialmente ligados ao controle de recursos estratégicos, como o petróleo, inicialmente evidenciada pela apreensão de navios petroleiros venezuelanos por forças norte-americanas. A política externa dos Estados Unidos reafirma sua lógica imperialista, aprofundada nos últimos anos e normalizada pelo avanço da extrema-direita no cenário internacional.
Já o sequestro de um Chefe de Estado e a atuação unilateral à margem das instâncias multilaterais expõem nitidamente a violação a princípios elementares do Direito Internacional, da autodeterminação dos povos e da soberania nacional. A Venezuela, que há anos sofre sanções e bloqueios econômicos ilegítimos, segue resistindo à asfixia econômica e política imposta de fora, sustentando um projeto soberano no continente. Um ataque direto ao país deve ser compreendido também como uma mensagem dirigida a toda a América Latina, especialmente aos países com os quais faz fronteira como é o caso do Brasil, onde a direita protagonizou, há coisa de 10 anos, um golpe de estado de novo tipo e setores da extrema-direita já defenderam abertamente a intervenção estrangeira como saída política.
A história latino-americana escancara que intervenções patrocinadas pelos Estados Unidos estiveram associadas a golpes de Estado, ditaduras e guerras, sempre em nome de interesses capitalistas centrais. Diante desse cenário, torna-se imprescindível a mobilização das instâncias internacionais e regionais, bem como a afirmação de posições firmes por parte de países que reivindicam uma ordem internacional multipolar, em defesa da paz, do internacionalismo e da solução política dos conflitos. Além disso, toda mobilização social, de organizações e movimentos populares, será necessária para sensibilizar nossa população acerca das violações e ilegalidades ocorridas na Venezuela.
O IPDMS reafirma sua solidariedade ao povo venezuelano e ao governo legitimamente constituído, bem como seu compromisso com a autodeterminação dos povos, a soberania nacional, os direitos humanos e a luta contra todas as formas de imperialismo. A América Latina, terra que pulsa libertação, conhece o custo histórico da submissão e segue afirmando que as violências imperialistas não encerrarão as trajetórias populares.
Brasil, 4 de janeiro de 2026.
Instituto de Pesquisa, Direitos e Movimentos Sociais – IPDMS